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Alzheimer: Como cuidar com bom humor – Dona Amália

Olá, netinhos. Tudo bem com vocês?

Voltei, para falar de alguns exemplos de como levo no bom humor as situações do dia a dia com a minha vozinha, que como sabem tem Alzheimer. Bom, eu apelidei de mentirinha do bem, um grande aliado que uso bastante, uma mentira que não faz mal!

Vó–“Onde eu estou?”

Neto –“Estamos em Barra de Santa Rosa, a cidade que a senhora tanto ama!”

Vó – “Que horas nos vamos embora?”

Neto –“Daqui a pouco, estamos esperando o seu filho chegar para nos levar!”

Vó –“Não quero tomar banho!”
Neto – “Vó hoje vai ter uma festona aqui em casa, os convidados já estão chegando!”

Vó –“Então bora tomar rapidinho!”

Vó –“Me leva para casa!”

Neto –“Pera, vamos de jegue, a senhora me ajuda a pegar o jegue?”

Vó – “Eu não você pega o jegue sozinho rsrsrs”

Neto –“Então vamos de cabrito”

Vó – “Eu nunca subi no cabritinho rsrsrs”

Vó –“Você não manda em mim!”

Neto –“Eu não mando não, a senhora que manda em mim, manda eu imitar uma galinha para você ver!”

Vó – “Imita uma galinha!”

Neto – “NhocNhocNohc”

Vó – “Isso é um porco seu burro rsrsrs”

Vó –“Não quero comer!”

Neto – “Vamos comer. A senhora precisa estar forte para dar chinelada em mim!”

Vó – “Já escovei os dentes!”

Neto –“Vamos escovar de novo, para mostrar para mostrar que nos somos bem limpinhos! E quem tem a boca fedida são eles”.

Vó – “Quem é você?”

Neto –“Eu sou seu namorado!”

Vó – “ Mentira, você é meu neto!”

As vezes acho que essa véia está enganando todo mundo, ela não tem Alzheimer coisa nenhuma, está fazendo isso para tirar com a nossa cara rsrsrs.

Sempre altero as respostas, já chegamos até nos arrumar para ir para a lua visitar a mãe dela que eu disse que estava morando lá. Demorou, mas hoje sabemos lidar com todas as situações que minha vó apresenta durante o dia, tudo acaba virando brincadeira, e acaba em risada, tornando cada situação mais leve de ser resolvida e assim conseguir o objetivo do momento.

Tudo voltou a se encaixar, todos da família estão na mesma sintonia, e aprendemos a conviver com o Alzheimer.

Em breve a vozinha irá fazer 92 anos, tem uma saúde de dar inveja, respostas na ponta da língua, e uma força incrível para descer a chinelada em mim. Acredito que a maneira mais leve que levamos o Alzheimer da vó, influencia nas questões citadas acima.

Vale lembrar que toda a família é muito importante nesse processo de cuidado, todos precisam ajudar e estar na mesma sintonia, procurar soluções que facilitem o convívio.  É muito importante o cuidador também se cuidar, ter um tempo para respirar, ter seu momento. Mesmo sabendo lidar com as situações você precisa descansar a sua mente.

Saiba que você nunca estará sozinho nesta batalha, conte comigo e com esse portal maravilhoso da Prati-Donaduzzi que tem muitas informações legais. Em meio à dor, as dificuldades, risadas e surpresa, Amália me ensinou e ainda ensina a cada dia, a rir, chorar, ser forte e um homem de valor. Enfim, a viver!

Sobre o autor:

Dona Amália tem Alzheimer, uma doença que não tem cura, e seu mascarado neto que nunca teve sua identidade revelada encontrou no bom humor uma maneira mais leve de levar algo tão triste. Hoje o canal (@vodapomba) é referência em cuidados com idosos, indicado e seguido por médicos, psicólogos e terapeutas que lidam com familiares de pessoas que estão passando pela mesma situação.

Sobre o colunista

Pacientes, ou familiares dos pacientes, expõem relatos sobre doenças de forma mais próxima, humana e cativante.
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